Os sessenta anos da bomba atómica
Há dias para esquecer. Outros que seria bom esquecerem, apesar de isso não ser possível. Há outros dias ainda que, pela sua alegria ou pela sua infinita tristeza, temos que lembrar.
6 e 9 de Agosto entram nesta categoria.
São dias obrigatórios.
De um lado do Mundo, assinalam-se os bombardeamentos que puseram fim à Segunda Guerra Mundial.
No outro, choram-se os mortos desses bombardeamentos, chora-se a factura da paz.
No meio, há toda uma multidão que não pode esquecer que Hiroshima e Nagasaki, eram cidades como Lisboa, Porto, Londres ou Madrid, habitadas por pessoas que riam, choravam, sentiam e amavam.
A única diferença é que eram cidades japonesas. Eram "inimigos".
A guerra acabou. Com as mortes de Hiroshima e Nagasaki, nos dias 6 e 9 de Agosto de 1945, pôs-se fim à barbárie que, hoje, o Japão reconhece ter infringido aos seus vizinhos asiáticos.
Mas será que a guerra acabou mesmo? Os aviões Enola Gay e Grand Artist lançaram Little Boy e Fat Man em 1945. Seguiram-se os anos da Guerra-fria, da Cortina de Ferro, da corrida à tecnologia. Agora, vivem-se dias de medo e terrorismo. Porque o que se planta num dia é o que se colhe no outro, há que perceber o que aconteceu há 60 anos para compreender o que hoje se vive.
Há dias para esquecer. Outros que seria bom esquecerem, apesar de isso não ser possível. Há outros dias ainda que, pela sua alegria ou pela sua infinita tristeza, temos que lembrar.
6 e 9 de Agosto entram nesta categoria.
São dias obrigatórios.
De um lado do Mundo, assinalam-se os bombardeamentos que puseram fim à Segunda Guerra Mundial.
No outro, choram-se os mortos desses bombardeamentos, chora-se a factura da paz.
No meio, há toda uma multidão que não pode esquecer que Hiroshima e Nagasaki, eram cidades como Lisboa, Porto, Londres ou Madrid, habitadas por pessoas que riam, choravam, sentiam e amavam.
A única diferença é que eram cidades japonesas. Eram "inimigos".
A guerra acabou. Com as mortes de Hiroshima e Nagasaki, nos dias 6 e 9 de Agosto de 1945, pôs-se fim à barbárie que, hoje, o Japão reconhece ter infringido aos seus vizinhos asiáticos.
Mas será que a guerra acabou mesmo? Os aviões Enola Gay e Grand Artist lançaram Little Boy e Fat Man em 1945. Seguiram-se os anos da Guerra-fria, da Cortina de Ferro, da corrida à tecnologia. Agora, vivem-se dias de medo e terrorismo. Porque o que se planta num dia é o que se colhe no outro, há que perceber o que aconteceu há 60 anos para compreender o que hoje se vive.
Há que não esquecer que, em dois dias, se hipotecaram gerações.
Em nome da paz. E, até hoje, o Mundo ficou refém do medo.
Por: Ana Cabrita
Hiroshima
O dia 6 de Agosto de 1945 amanheceu claro e quente em Hiroshima, a sétima maior cidade do Japão na altura, com 343 mil habitantes e uma guarnição militar de 150 mil soldados.
Hiroshima fica junto ao rio Ota, que desemboca no mar Interior. Naquela segunda-feira, apesar da guerra travada nas ilhas do Oceano Pacífico contra os Estados Unidos da América, a vida corria como sempre: os comerciantes já tinham aberto as lojas, os estudantes estavam nas salas de aula, os escritórios e as fábricas funcionavam normalmente.
Pouco antes das 8 horas da manhã, a sirene avisou sobre a presença de aviação inimiga. O alerta era tão corriqueiro que pouca gente correu para os abrigos antiaéreos. A sirene parou. Às 8h15, bem alto no céu, surgiu uma faísca branco-azulada que se transformou num arco rosado. Em décimos de segundo, Hiroshima (Ilha Larga) ficou branca. Prédios e casas levitaram. Pessoas e animais evaporaram, telhados e tijolos derreteram. Uma onda de calor de 5,5 milhões graus Celsius e ventos de 385 Km/h arrasaram a cidade.
Inocentemente chamada Little Boy, a bomba foi lançada por uma "Fortaleza Voadora" (um B-29 baptizado de Enola Gay, em homenagem à mãe do piloto) a 10 mil metros de altura. Desceu de pára-quedas e acabou por explodir a 650 metros do solo sobre o centro da cidade.
Tudo que se encontrava a 500 metros do epicentro da explosão foi imediatamente incinerado.
Segundos depois, a onda de choque atingia um raio de mais de 7 quilómetros.
Menos de uma hora depois da explosão, 78 mil pessoas tinham morrido e, dessas, 10 mil simplesmente evaporaram.
Consequências Indirectas:
37 mil feridos e milhares de pessoas foram as que vieram a morrer nos dias e meses seguintes. Durante muitos anos nasceram crianças deficientes devido à radiação a que as mães tinham sido expostas.
A explosão libertou uma quantidade absurda de radiação e o mundo conheceu pela primeira vez a imagem do temido cogumelo atómico.
Ao todo, morreram cerca de 300 mil pessoas em consequência directa do ataque.
Quem não morreu queimado, esmagado ou pulverizado sofreu mais tarde com os efeitos da radiação - em geral, morte por cancro.
A intenção do Governo dos Estados Unidos era de que o Japão se rendesse. Mas, mesmo com a destruição de Hiroshima, o Imperador Hirohito não capitulou.
Nagasaki
O nevoeiro e o trabalho das baterias anti-aéreas sobre a cidade de Kokura no dia 9 de Agosto condenaram Nagasaki, na ilha de Kyushu, a ser o alvo da segunda bomba atómica norte-americana.
O B-29 Grand Artist lança a bomba Fat Boy - assim nomeada em homenagem ao Primeiro-ministro britânico Winston Churchill - às 11h02.
Dos seus 250 mil habitantes, cerca de 40 mil morreram nesse dia.
A tragédia não foi maior porque o terreno montanhoso protegeu o centro da cidade, ao contrário do que havia acontecido em Hiroshima, que é relativamente plana.
Quatro meses depois, porém, as mortes na cidade chegavam a 80 mil.
A rendição incondicional do Japão ocorreu no dia 14 de Agosto, mas a Segunda Guerra Mundial só seria encerrada oficialmente a 2 de Setembro de 1945, um domingo, quando os representantes japoneses assinaram a rendição, a bordo do couraçado norte-americano Missouri.
Em 1950, o census nacional do Japão indicou que havia no país 280 mil pessoas contaminadas pela radiação das bombas de Hiroshima e Nagasaki.
kill bush
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