23 fevereiro, 2006

Um Ídolo

Faz hoje, dia 23 de Fevereiro de 2006, 19 anos que morreu o homem que mais pena eu tenho de não ter conhecido. José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, vítima de esclerose lateral amiotrófica. A ele agradecemos hoje, musicas e letras de um valor moral e cultural inestimável e principalmente a nossa liberdade de expressão. É, e sempre será, símbolo de liberdade, revolta e luta pelo que está mal, ídolo para muitos, indigente para os ignorantes que assim o querem. Mas isso é outra história.

Uma eterna admiração e agradecimento, ao amigo Zeca.

www.aja.pt (Associação José Afonso)

07 fevereiro, 2006

Homem/Mulher/Homossexual

Muitos tempos quadrados passaram,

E a dominar o mundo chegaram.

Até ao dia em que descobriram,

Que neste mundo outros seres viviam.


Hoje o mundo lhes entregue está,

Para melhor, não sei se irá.

Caminhamos para um futuro,

Onde a mulher nos dominará.


Ainda nem à mulher chegámos,

E Imaginem o que vem a seguir.

Um dia vamos ser dominados,

Pelos que hoje estão a surgir.

Miguel Bispo Lembras-te Marta??

01 fevereiro, 2006

Camilo Pessanha

Um escritor que foi uma grande personagem Portuguesa, principalmente em Macau, onde desempenhou vários cargos, políticos e outros. Licenciado em direito em Coimbra, leccionou Filosofia em Macau, etc.. Os seus poemas, eram escritos e oferecidos aos amigos, sem sequer guardar uma cópia, mas conseguia recitar cada um deles.. É um poeta que descobri por acaso, ao estudar recursos estilísticos no meu livro de Português do 11º ano. A frase que me chamou a atenção foi: "Numa rua te encontro, Numa rua te perco", depois pesquisei sobre o autor e fiquei maravilhado. Aqui está um exemplo do que é bom:


Interrogação

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Camilo Pessanha